Nota de repúdio à matéria do Diário da Manhã sobre as ocupações em Goiás


O Tarifa Zero Goiânia vem manifestar o seu mais completo repúdio às falsas informações veiculadas na edição desta quarta-feira (16 de dezembro) do jornal Diário da Manhã.

Numa matéria intitulada “Invasão de escolas é ação política”, o Diário da Manhã afirmou que o movimento de ocupação das escolas é liderado por um grupo que “usa táticas de guerrilha”.

A intenção do jornal é claramente a de criminalizar o movimento. E mais: é uma tentativa de reverter o cenário favorável à aprovação das ocupações pela opinião pública, reforçado pela negação nesta terça-feira (15 de dezembro) do pedido de reintegração de posse ajuizado pelo governo.

Mediante parecer do juiz Eduardo Tavares dos Reis (que pode ser conferido aqui: http://www.tjgo.jus.br/index.php/home/imprensa/noticias/119-tribunal/11638-negado-pedido-do-governo-para-reintegracao-de-posse-de-escolas-ocupadas), a justiça reconhece que o objetivo de professores e estudantes é trazer à tona a discussão sobre o projeto de terceirização. E reconhece também que “transformar o movimento de ocupação das escolas em questão jurídica é, com absoluto respeito, uma forma incorreta de compreender a dimensão do problema” e que “as manifestações de 2013 que se prolongaram até os dias atuais obrigam o poder público (inclusive o Judiciário) ao reconhecimento da legitimidade dos movimentos sociais e de protesto, com sua pauta e voz”.

E mais: ao contrário do que faz o Diário da Manhã, a justiça reconhece que trata-se de um movimento composto por estudantes, referindo-se inclusive a “estes pequenos brasileiros que estão em sua maioria, exercendo pela primeira vez seu direito de luta e voz”. Nenhuma menção a qualquer organização guerrilheira.

Fica claro nessa decisão judicial que a questão não é policial, mas política. E fica claro também que as pessoas devem ter o direito de protestar, inclusive recorrendo à desobediência civil (a certa altura, o juiz afirma que os estudantes “não merecem ser apenados com a violência estatal por tal ato de desobediência civil que visa apenas o estabelecimento de um diálogo com o Poder Público Executivo”).

Pois bem, o que o Diário da Manhã pretende com essa matéria é justamente negar que trata-se de um movimento de protesto legítimo, negar que trata-se de um movimento de professores e estudantes e criminalizar o movimento, o que daria legitimidade para uma ação policial contra as ocupações.

Diante disso, o Tarifa Zero Goiânia vem manifestar a mais completa solidariedade para com o movimento das escolas ocupadas e, novamente, o mais completo repúdio ao jornal Diário da Manhã, que por meio dessa matéria apresenta-se como a expressão mais acabada do jornalismo marrom, sensacionalista e sem compromisso com a veracidade das informações veiculadas. E apresenta-se também como um dos melhores representantes do jornalismo a serviço de opressores e exploradores.

Goiânia, 16 de dezembro de 2015.

Pela continuidade da meia-tarifa no Eixo e contra sua privatização!


Conforme noticiado ontem pelo jornal O Popular (aqui), o governo estadual pretende abolir o subsídio da tarifa do Eixo Anhanguera, desfrutado por todos os usuários e usuárias do transporte coletivo na Região Metropolitana de Goiânia, até o começo do próximo semestre, substituindo-o por um subsídio direcionado apenas aos usuários e usuárias de baixa renda.

Atualmente, o governo estadual repassa à Metrobus um subsídio de R$ 6 milhões, que serve para custear a tarifa reduzida paga pela população em geral. Segundo o Presidente da Metrobus Eduardo Machado, empresa de capital misto que detém a concessão do Eixo Anhanguera, essa medida beneficiará 40 mil usuários de baixa renda, fazendo com que aqueles que não se enquadrem nessa categoria sejam obrigados a pagar o valor inteiro da tarifa. O presidente da Metrobus argumenta ainda que o valor inteiro, a ser pago pelos usuários de renda mais alta, será revertido para o benefício da população mais carente, chegando ao cúmulo do ridículo ao dizer que há “[…] casos que a pessoa ganha R$ 8 mil por mês e anda no Eixo em razão do trânsito e falta de estacionamento. Essa pessoa pode pagar a tarifa cheia”.

Ou seja, nos deparamos com mais um aumento da tarifa do transporte coletivo na Região Metropolitana de Goiânia, ao mesmo tempo em que o governo estadual pretende, novamente, dividir os usuários e usuárias do transporte coletivo por critério de renda, colocando-os uns contra os outros: o Governador Marconi Perillo recorreu à mesma manobra quando propôs a concessão de um passe livre estudantil que discriminasse os estudantes segundo o mesmo critério, critério que, por sua vez, sempre se mostra incapaz de abarcar os trabalhadores e trabalhadores que gastam boa parte de sua renda com o transporte coletivo. Como sempre, a promessa feita aos usuários e usuárias do transporte coletivo é a de que a medida levará à melhoria dos serviços prestados. Da mesma forma que sabemos que a grande maioria dos usuários e usuárias do Eixo Anhanguera não recebem R$ 8 mil por mês, sabemos também que a medida não levará à melhoria das condições de transporte na Região Metropolitana de Goiânia, tal como todos os aumentos tarifários anteriores.

É importante frisar que o acesso ao transporte coletivo incide diretamente no direito à cidade. Isto é, é por meio do acesso ao transporte público que temos acesso a hospitais, escolas, trabalho, lazer e outros serviços. Assim, quanto maior é a tarifa, mais penoso se torna o transporte coletivo e, portanto, mais restrito é nosso acesso a cidade. Tais medidas, que prometem a redução da tarifa por critérios de renda, são sempre medidas que restringem a quantidade de viagens mensais por passageiro, geralmente limitando-a a duas viagens por dia, como se somente precisássemos do transporte coletivo para ir e voltar do trabalho, além de serem incapazes de abarcar todas as pessoas prejudicadas com o aumento tarifário, pois, ainda que muitos usuários e usuárias não apresentem alto indíce de pobreza, não se beneficiando dos programas sociais do governo, o reajuste do Eixo Anhanguera implica numa reorganização dos gastos mensais, que implica necessariamente num maior peso na renda de toda a classe trabalhadora, fazendo com que esta tenha que fazer vários sacrifícios para conseguir pagar esse preço.

Para piorar, o governo estadual pretende ainda privatizar a Metrobus ou terceirizar a parte administrativa da empresa, tendo em vista a redução de custos. Segundo a reportagem, “a ideia é que se crie um consórcio com a participação da Rápido Araguaia, Cootego e Viação Reunidas […]”. Todos os usuários e usuárias do transporte coletivo em Goiânia e região sabem muito bem que essas empresas prestam um péssimo serviço, sobretudo levando-se em conta que a tarifa do transporte coletivo em Goiânia é uma das que sofreu os maiores reajustes no Brasil ao longo dos últimos anos.

A privatização da Metrobus e a concessão do Eixo Anhanguera a um consórcio formado por essas empresas será um enorme retrocesso para todos os usuários do transporte coletivo na região, que consiste em piorar a única parcela do transporte coletivo de Goiânia e região que, apesar das constantes superlotações, funciona minimamente bem, com alta circulação e um preço menos abusivo na tarifa.

Diante disso, o Tarifa Zero Goiânia participou hoje de uma pequena manifestação no terminal da Praça A, organizada pelos trabalhadores do transporte coletivo a convite do Sindcoletivo. Protestamos, junto com eles, contra a pretensão do governo estadual de aumentar a tarifa do Eixo Anhanguera e privatizar a Metrobus. Manifestamos a mais completa solidariedade para com o movimento dos trabalhadores do transporte coletivo e também a nossa mais completa disposição em construir essa luta, lado a lado, com eles. Convidamos a todos aqueles que se opõem a essas medidas a comporem mais essa mobilização em prol dos interesses comuns dos trabalhadores e trabalhadoas e dos usuários e usuárias do transporte coletivo, que partilham os mesmos inimigos: os governos estadual e municipal e as empresas de transporte coletivo.

Nota de solidariedade aos presos políticos


Em 2013, as lutas pela redução das tarifas no transporte coletivo em diversas cidades do Brasil transformou-se nas maiores mobilizações populares de rua registradas no país nas últimas décadas. Milhões de pessoas saíram às ruas, e uma outra forma de se manifestar foi adotada por diversos coletivos e organizações, visando possivelmente manter o controle dos espaços urbanos e a realização dos atos. Das passeatas pacíficas passou-se às ações de enfrentamento com a polícia e, como uma ação de reação, o ataque à propriedade privada de várias empresas.

Não demorou muito para que o Estado e diversos setores empresariais, desde os capitalistas do transportes até os grandes grupos da imprensa corporativa, passassem a encontrar formas de criminalizar mais duradouramente os diversos movimentos sociais e seus lutadores e lutadoras. As prisões realizadas supostamente em flagrantes durante às manifestações se mostraram ineficazes para conter a força das ações de rua. E desde o final de 2013 e em 2014, as ações repressivas estão se dando de formas articuladas, prendendo durante as manifestações mas também sendo instaurados inquéritos, realização de prisões preventivas e abertura de processos criminais contra diversos militantes.

Essas medidas foram verificadas em Joinville (SC), onde dois militantes que já atuaram no Movimento Passe Livre (MPL) da cidade estão sendo processados numa ação articulada entre Estados e empresas ligadas à Câmara de Dirigentes Logistas e à Associação Comercial e Industrial de Joinville. Dentre as acusações há incitação à violência e danos ao patrimônio privado.

Em Porto Alegre (RS), militantes do Bloco de Lutas pelo Transporte, que conseguiu barrar o aumento da passagem em abril de 2013, estão sofrendo as mesmas acusações, além de formação de milícia privada. Residências e locais de reunião foram invadidos pela polícia gaúcha, resultando na apreensão de diversos documentos de divulgação.

Aqui em Goiânia (GO), após a conquista do congelamento das tarifa em 2013 e a realização de dezenas de manifestações nos meses iniciais de 2014, a polícia civil em conluio com os empresários da Rede Metropolitana de Transporte Coletivo, levou à prisão três militantes da Frente de Luta-GO, com acusações semelhantes, sendo as mais graves as de associação criminosa e formação de quadrilha.

Em Fortaleza (CE), dezenas de manifestantes foram presos em manifestações pelo passe livre e contra as consequências da realização da Copa do Mundo de futebol. Há informação de que até o dia 15 de julho, um manifestante ainda se encontrava preso, após 10 dias de sua detenção, por danos ao patrimônio público.

Em São Paulo, cerca de duas dezenas de militantes do MPL e familiares estão sendo constantemente intimados a depor em repartição da polícia civil, sem que exista nenhuma acusação individual ou mesmo coletiva contra eles. Porém, os casos mais graves no estado estão ligados à prisão com flagrantes forjados de dois manifestantes que estavam em um ato no dia 23 de junho, e que continuam presos até o dia 15 de julho.

No Rio de Janeiro, um dia antes (12 de julho) da final da Copa do Mundo, cerca de vinte manifestantes foram presos preventivamente por cinco dias, numa clara ação de intimidação para evitar manifestações contra a Copa na capital fluminense. As acusações são graves, como a de formação de quadrilha armada e porte de explosivos – neste último caso, evidências que surgiram na imprensa apenas dias depois das prisões, o que indica, mais uma vez, a ação corriqueira da polícia brasileira em forjar provas. Como em Goiânia, as prisões preventivas no Rio de Janeiro se dão mesmo que os acusados tenham empregos, residência fixa e sem antecedentes criminais, contrariando, assim, os critérios definidos para que sejam executados tais pedidos de prisão preventiva.

Mas a repressão não tem atacada apenas militantes e manifestantes. Como se deu em toda a história do país, pessoas oriundas dos setores mais pobres da população, moradores e moradoras das periferias das grandes cidades, e em sua maioria negros e negras, continuam a sofrer as consequências das ações policiais, que não raramente resultam em execuções. Não custa nada lembrar os mais divulgados nos últimos meses, como Amarildo e Cláudia Silva, esta última arrastada por centenas de metros no asfalto por uma viatura policial, após ações ligadas às Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Há ainda o caso de Rafael Vieira, um morador de rua preso nas proximidades de uma manifestação em 2013, e condenado à cinco anos de prisão por porte de pinho sol, um desinfetante usado em limpeza de banheiros, mas considerado como líquido explosivo pela justiça brasileira.

A ocorrência desses casos de repressão, somados a outros existentes, demonstram a escalada de ataque às lutas sociais por parte do Estado brasileiro e dos capitalistas privados. A sistemática perseguição aos militantes e manifestantes, além da uniformidade das acusações em vários estados da federação, indicam uma ação orquestrada por parte do governo federal e executada pelas Secretárias de Segurança Pública dos governos estaduais, visando conter o ascenso das lutas sociais, verificadas principalmente a partir de 2013. A escalada repressiva demonstra ainda que o fato de ser um governo dito de esquerda, e oriundo das lutas sociais, ou de direita não altera em nada o objetivo de conter e liquidar com movimentos sociais que questionam na prática as contradições sociais da sociedade capitalista. Nesse sentido, fica claro o interesse de classe comum entre os capitalistas privados e os capitalistas de estado de acabar com qualquer luta que ataque diretamente seus interesses de exploradores.

Frente a isso devemos nos organizar para continuar as lutas na quais estamos inseridos. Mas talvez o mais importante seja construir redes de solidariedade, de divulgação e de ação contra as ações repressivas que atacam os movimentos sociais e grupos políticos que tem lutado contra a exploração capitalista.

NOTA SOBRE O SEQUESTRO DA SIGLA DO MPL, APROVADA NA ÚLTIMA REUNIÃO NACIONAL DO DIA 11/05/2014


Não é nenhuma novidade que a partir das mobilizações de junho, que surgiram principalmente das manifestações organizadas pelo Movimento Passe Livre em São Paulo e pelo contexto de lutas contra aumento das passagens em tantas outras cidades do país, o nome “Movimento Passe Livre” passou a ser usado em muitas cidades onde não existiam coletivos MPL locais. A mídia deu uma grande exposição das lutas contra o aumento das tarifas em São Paulo e pro MPL em si, e isso contribuiu muito para esta proliferação de “Movimentos Passe Livre” pelo Brasil afora. Hoje, muitos desses “Movimentos” que surgiram fazem parte da federação do MPL, mas o “Passe Livre” também foi usado por vários coletivos que tinham um caráter muito diferente do Movimento que temos construído ao longo de vários anos.

tarifa-zero-mplNos sentimos honrados de ser um dos atores responsáveis pela retomada das lutas de rua autônomas e vitoriosas, e que a nossa organização e as nossas práticas tenham servido de exemplo para tantas outras lutas, mas precisamos ressaltar que nunca nos colocamos no papel de “donos” das lutas de junho. E foi conscientemente que não assumimos o papel de “representantes” dessas mobilizações. Nenhuma luta que o Movimento Passe Livre participou foi construída sozinha, e se as lutas não fossem impulsionadas por todos que se mobilizaram não teríamos conquistado a revogação dos aumentos. Nós acreditamos que as lutas não devem ser só do MPL, ou de uma organização qualquer, e isso por duas razões.

Primeiro, porque o MPL é só mais um movimento social entre tantos outros que lutam contra a exploração e a opressão na cidade e no campo; vamos seguir lutando, todos juntos, rumo às nossas vitórias, e é esta diversidade de lutas e de organizações que nos faz fortes. Em segundo lugar, nós não acreditamos o papel de “vanguardas” que se usam do discurso classista para se colocar como os representantes de todos os trabalhadores, esses grupos de “iluminados” e “entendidos em política” que querem falar em nome dos outros, e atrapalham ou impedem a organização e participação direta dos próprios trabalhadores, desempregados, comunidades indígenas e tantos outros subordinados à dominação da sociedade capitalista racista e patriarcal. Se as lutas de junho não foram suficientes para demonstrá-lo, que fique claro: acreditamos que nós, de baixo, devemos nos organizar coletivamente por nós mesmos, e qualquer forma de luta que tire a iniciativa direta daqueles que a constroem serve apenas para nos manter na passividade a que o capitalismo nos condena.

O Movimento Passe Livre não é uma moda passageira, como a grande mídia faz parecer. Também não é uma onda de manifestações com pautas variadas. O Movimento Passe Livre é um movimento social horizontal, autônomo, apartidário e independente, fundado em 2005 numa plenária do Fórum Social Mundial, a partir da articulação de vários coletivos locais que já se organizavam há algum tempo pra lutar pelo passe livre estudantil em suas cidades. Em 2006, adotamos oficialmente o federalismo como forma de organização, pensando em dois objetivos: (a) criar uma estrutura nacional para apoiar as lutas locais, sem criar qualquer hierarquia entre os coletivos federados, e (b) abrir uma “via de mão dupla”, através da qual, os coletivos já federados e coletivos recém-acolhidos na federação possam contribuir consciente e ativamente com o desenvolvimento das lutas pelo direito à cidade e pela tarifa zero em todo o país. Essas são as bandeiras do movimento. Qualquer pessoa interessada pode encontrar essas resoluções – públicas – tiradas no III Encontro Nacional do MPL, no nosso site: http://mpl.org.br/?q=node/2.

mplDesde junho, a grande mídia e alguns setores da esquerda têm tentado confundir o movimento social organizado, que é o MPL, com uma frente de lutas ampla e irrestrita, para abafar e diluir aquilo com que o MPL contribuiu decisivamente em junho, de maneira organizada: a manutenção de um sentido sólido para a mobilização popular e massiva – uma pauta concreta, simples e palpável, que representa um avanço real na luta popular e que pôde ser conquistada pela luta do povo.

Por isso nos preocupamos com o sequestro do nome “Movimento Passe Livre” por organizações políticas e indivíduos oportunistas, que tentam se aproveitar da legitimidade que o Movimento construiu ao longo de todos esses anos e em junho. Usam o nome do nosso coletivo desrespeitando completamente nossa história de luta. Em Osasco (SP), enquanto o grupo Osasco Contra o Aumento organizava manifestações contra o aumento, membros da União da Juventude Socialista (UJS) usaram a sigla “MPL” para legitimar-se em negociações com o governo. Também na baixada santista (SP), a UJS tentou aparelhar um coletivo que está tentando refundar o MPL na região. Em Salvador (BA) uma frente hegemonizada por indivíduos e organizações de esquerda de cunho nitidamente governista usa a sigla do MPL para se projetar politicamente, e tem hostilizado a própria federação nacional do MPL. Em São Luís (MA), um coletivo local ingressou na federação recentemente, mas não sem antes ter de lidar com um conhecido militante oportunista do movimento estudantil que tentava marcar reuniões com o governo e a prefeitura, e se dizia “coordenador” do movimento, vestido com a camisa do MPL. Em Curitiba, o coletivo expulso da federação, em 2012, insiste no uso ilegítimo de nossa sigla.

Estas situações são apenas as que tivemos notícias, mas, por conta da dimensão das jornadas de junho, devem haver vários outros casos como esses.

Diante de todos eles, reafirmamos que só integram a federação nacional do Movimento Passe Livre, aqueles coletivos que passaram pelo processo de adesão ao MPL: que mostraram ter concordância com os princípios do movimento, dos quais conhecemos a história na própria cidade, que procuraram e foram acompanhados por outros coletivos já federados, e nos quais temos plena confiança e laços de solidariedade de luta. Não proibimos, nem poderíamos proibir que qualquer grupo de pessoas se organize politicamente, e esperamos que mais pessoas se organizem na luta pelo transporte, mesmo que não seja pelo MPL; mas denunciaremos publicamente qualquer tentativa de sequestro do nosso nome por oportunistas que usem a sigla do movimento como uma chance momentânea de crescer na política ou de se afirmar diante de qualquer governo.

POR UMA VIDA SEM CATRACAS E SEM OPORTUNISMO!

MOVIMENTO PASSE LIVRE.

Manifestantes ocupam a Paulista

NOTA DE ESCLARECIMENTO


NOTA DE ESCLARECIMENTO

O Coletivo TarifaZero Goiânia esclarece que, ao contrário do afirmado em reportagem do O Popular, não foi esse coletivo o organizador das manifestações pelo transporte coletivo em Goiânia, apesar de termos contribuído também conjuntamente com outros grupos. A organização das manifestações contra o aumento foi realizada pela Frente de Luta Contra o Aumento, uma composição que comportava vários grupos políticos, entidades de luta e indivíduos independentes, com instâncias próprias de discussão e decisão conjunta. As últimas manifestações por melhoria do transporte e por uma intervenção pública nas empresas foram convocadas pela Frente de Luta Pelo Transporte, que também é uma instância aparte que surgiu depois da derrubada do aumento para a qual vários militantes do coletivo contribuem, mas que também não se reduz a um grupo específico. Finalmente, as manifestações em Aparecida de Goiânia foram convocadas pela Frente de Luta Pelo Transporte – Aparecida, que já é outra organização com instâncias de discussão e decisão próprias. Em nenhum momento afirmamos um nosso protagonismo exclusivo na condução e organização da luta do transporte em Goiânia, pelo contrário, sempre afirmamos que essa luta foi e é resultado de um protagonismo coletivo e ativo dos mais diversos indivíduos e grupos a partir de um interesse comum e a da discussão coletiva.

A notícia que afirma o equívoco que estamos aqui esclarecendo pode ser visualizada aqui:http://onibusrmtca.blogspot.com.br/2014/01/goiania-pacto-pode-melhorar-transporte.html

A nossa análise das notas técnicas do IPEAi e do REITUP, que divergem da análise da reportagem, pode ser encontrada aqui:https://tarifazerogoiania.wordpress.com/2013/12/23/pacto-pela-mobilidade-urbana-em-defesa-da-soberania-empresarial/

 

 

Nota de apoio ao evento Ninguém será esquecido!


No próximo domingo (dia 08/02) ocorrerá em Goiânia, e em várias outras cidades, pedaladas em apoio aos presos políticos nas manifestações no Brasil. Diante de toda a repressão e criminalização que os movimentos sociais estão sofrendo, e sabendo da arbitrariedade e da injustiça com que as prisões ocorrem nos protestos, torna-se urgente e fundamental  exercemos nossa solidariedade a todos que vêm sofrendo perseguições, que ainda estão presos, ou que estão respondendo a processos decorrentes da participação em manifestações.

Em Goiânia a pedalada sairá às 14:00hs da Praça Universitária e seguirá rumo ao Lago das Rosas, a proposta divulgada no evento é de que após a pedalada ocorram diversas atividades culturais e debates na praça universitária.

Em solidariedade aos presos políticos e contra toda violência policial, apoiamos este evento e convidamos a todos e todas a somarem na luta e comparecerem no dia 08!

Foto retirada da página do evento.

Link do evento: https://www.facebook.com/events/1426234804270930/

Solidariedade do coletivo Tarifa Zero Goiânia à luta e greve dos trabalhadores da RME


Por meio de muita luta, enfrentando as ofensivas da imprensa e da polícia, as manifestações da Frente Contra o Aumento enfim foram essenciais para a revogação da tarifa do transporte coletivo, para a conquista do “Ganha Tempo” e para aprovação do passe-livre estudantil. Mesmo que a luta ainda esteja em seu início, as empresas do transporte coletivo já reagiram: alegam prejuízo em seus exorbitantes lucros, pedindo subsídio ao poder público, retirando veículos de linha causando atrasos e superlotações, cortando e parcelando salário de trabalhadores (caso da empresa Reunidas) e realizando lockout (caso da empresa Rápido Araguaia).

No mesmo cenário, em que as empresas pressionam os gestores públicos, a prefeitura anuncia o corte de benefícios como o “difícil acesso” dos trabalhadores da educação. O que se espalhou foi a ideia de que isso é culpa das conquistas vindas das lutas contra o aumento e por um transporte coletivo digno. Cortar benefícios de mobilidade dos trabalhadores da educação municipal e culpar os levantes e movimentos de luta por uma mobilidade urbana mais digna seria realmente uma jogada suja, incluindo-se na tão conhecida tática das classes dominantes – tentar desorganizar os trabalhadores e colocá-los contra si mesmos (motoristas contra usuários; professores contra estudantes; trabalhadores da educação contra demais trabalhadores que se beneficiaram com a integração etc.).

O “difícil acesso” é um direito essencial para a mobilidade dos trabalhadores, tanto aos que se locomovem pelo transporte coletivo quanto aos que se locomovem por transporte particular. O trabalhador cortar parte do próprio salário para gastar com seu próprio deslocamento ao local de trabalho é uma prática que abominamos e é justamente um dos principais pontos que nos faz lutar contra o aumento de tarifas e, mais ainda, por uma nova lógica de transporte, que seja de fato público e com tarifa zero. Temos a consciência de que os gastos com a locomoção dos trabalhadores aos seus postos de trabalho devem ser de responsabilidade dos patrões, portanto o trabalhador não deve ser onerado em seu salário para que sustente sua própria exploração. Mesmo sabendo que ainda não é a medida ideal, o “difícil acesso” é um direito mínimo que jamais deveria ser afetado.

A questão da mobilidade, porém, não é o único ponto apesar de demonstrar que as diferentes frentes de luta unem-se nos interesses comuns da classe trabalhadora contra os interesses da classe capitalista organizada. É de conhecimento que muitas escolas não têm infraestrutura de qualidade, ou seja, em pleno 2013 ainda é comum escolas que não tenham – ou tenham de má qualidade – quadras de esportes, banheiros decentes, lousas modernas, ambiente informatizado, bibliotecas e que ainda haja escolas e CMEIs com paredes de placa. A exploração do trabalho intensifica-se nas escolas e estende-se ao tempo livre dos trabalhadores: professores são constantemente cobrados e controlados em seu tempo produtivo, tendo que conciliar o currículo que lhes é cobrado, o atendimento a estudantes com necessidades especiais sem o apoio de professores especializados, o cumprimento de projetos milionários e sem respaldo pedagógico aprovados em cúpula de gestores com autores e editoras (“Escola de Inteligência” e “Educação Financeira”) e também cumprir as obrigações burocráticas como a confecção de fichas avaliativas de alunos (notas e “sócio-afetivo”), que não passam de uma maquiagem mal feita em um sistema de ciclos que jamais deixou de funcionar como um obsoleto e opressor sistema seriado.

Os trabalhadores administrativos passam por situação grave. Além da exploração cotidiana, ainda estão desrespeitados em seus planos de carreira e na progressão horizontal. Alguns cargos como os agentes educativos e o magistério passam pela situação de ou não ter nem o plano de carreira ou não serem contemplados em benefícios como regência e “difícil acesso”. Quem trabalha nas cozinhas, além disso, enfrenta locais de trabalho insalubres, tendo que conciliar um processo pesado cotidianamente de se responsabilizar pela alimentação de estudantes na merenda e no almoço. Aliás, é também sabido que a merenda enfrenta crise em várias escolas: estudantes reclamam de estarem comendo apenas bolachas, pães com pouco recheio e de estarem recebendo as bebidas (sucos, iogurtes e leites com achocolatado) pela metade. Claramente, não está chegando merenda nessas escolas e a alimentação oferecida é de baixo valor nutricional: além de estarem reclamando de fome, os estudantes sujeitam-se a alimentos cariogênicos e de baixa qualidade. E os trabalhadores da merenda ainda precisam tentar fazer milagre com esses ingredientes, sem o auxílio de mais trabalhadores nas abafadas cozinhas.

Além de todos esses fatores, ainda há o sucateamento de um dos mais vitais direitos dos trabalhadores, que é o plano de saúde do IMAS, que só piora. O piso salarial que não é cumprido como deveria ser, os planos de carreira solapados, a precarização dos trabalhos de contratos e substitutos e a falta de autonomia das escolas – sempre sujeitas ao rígido controle das estâncias burocráticas da SME – são outros pontos emergenciais. Emergenciais porque sabemos que o horizonte dessa luta ainda é amplo, e envolve toda precarização do sistema educacional do país.

Diante dessa situação, o coletivo Tarifa Zero Goiânia não só apoia como põe-se em solidariedade na luta dos trabalhadores da Rede Municipal de Educação. Pela luta dos trabalhadores começando pela mobilização em suas comunidades escolares, ou seja, por uma luta em que se superem os velhos erros de atrelamento e subordinação a direções partidárias ou de sindicatos que são notadamente instrumentos de controle e, que na realidade do Sintego, é praticamente orgânico à Secretaria Municipal de Educação.

Pela união dos trabalhadores nas escolas, dos responsáveis pelos estudantes e os próprios estudantes, e também com outras categorias de trabalhadores conscientes de que somos uma só classe, totalmente antagônica à classe dos que nos exploram: daqueles que ocupam cargos de gestão em empresas, governos e sindicatos pelegos. Pela constante mobilização e pelas lições aprendidas com as derrotas anteriores e pelo respeito à decisão soberana da assembleia que decidiu por greve.

 

Declaramos, portanto, solidariedade à luta e à greve dos trabalhadores da RME (Rede Municipal de Educação) de Goiânia, por uma educação sem catracas!

Tarifa Zero Goiânia,

Goiânia, 25 de Setembro de 2013.

Amanhã vai ser maior!