A sexta-feira 13 do transporte coletivo


Para fazer jus a qualquer superstição, na última sexta-feira 13 a Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo (CDTC) decidiu assombrar as centenas de milhares de usuários e usuárias do transporte coletivo da região metropolitana de Goiânia. A notícia do aumento de R$0,50 foi dada pela Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC), empresa pública cujo papel seria de fiscalização e regulamentação do serviço, e não de porta-voz dos interesses de empresários do setor. A decisão foi tomada às escondidas e com definição de aumento valendo já para a segunda-feira de Carnaval (16/02), obviamente sem consulta aos principais afetados pela péssima qualidade do serviço: trabalhadoras e trabalhadores usuários. Tal atitude não nos é vista de outra forma senão como um golpe.
A CDTC, presidida por Paulo Garcia – prefeito de Goiânia, é composta por representantes das prefeituras da região metropolitana, governo do Estado e alguns parlamentares. O aumento deliberado por eles, obviamente, atende às demandas de lucros dos empresários do setor, reunidos no consórcio RMTC. A justificativa é a de que as prefeituras e governo estadual não repassaram às empresas os subsídios referentes às gratuidades, ou seja, fazem com que grande parte dos passageiros pague por R$3,30 se responsabilizando por direitos sociais (passe livre estudantil, meio passe estudantil, passe livre para idosos) que deveriam ser de responsabilidade das empresas e garantidos pelo poder público.
Devemos lembrar que nessa notícia há vários problemas, entre eles:
  1. As empresas alegam desequilíbrio financeiro-orçamentário, mas não publicam suas planilhas de custos e lucros para embasar suas reclamações. Em matéria do blog “Rede Integrada de Transporte Coletivo”, Patrícia Veras, presidente da CMTC, diz demagogicamente que poderá abrir as planilhas a pessoas e movimentos sociais interessados, sendo que a mesma negou diálogo em um protesto no dia 4 de dezembro de 2014 que pedia esclarecimentos sobre a retirada do programa Ganha Tempo;
  2. Na mesma matéria do blog, Veras afirma que é a população que custea o transporte. Isso nos demonstra um pouco como o contrato de concessão funciona, jogando para os usuários os custos que deveriam ser das empresas, portanto salvaguardam a lucratividade dos empresários em detrimento da renda salarial dos trabalhadores que dependem do serviço que deveria ser de fato público, e não uma mercadoria da qual empresas privadas lucram por passageiro transportado;
  3. Representantes do poder público servem de escudo dos empresários do transporte coletivo. São eles que anunciam e defendem o aumento, o qual sempre insistiam chamar de “reajuste” e agora de “recomposição” – mas a verdade é que se trata de aumento;
  4. Com a tarifa subindo de R$2,80 para R$3,30, Goiânia se torna a terceira capital com transporte coletivo mais caro do país, atrás somente de Rio de Janeiro e São Paulo. E com péssima qualidade!
Em Goiânia, como em várias cidades do país, as péssimas condições e as tarifas do transporte coletivo geram revoltas de quem depende dos serviços para locomoção. Até então os responsáveis pelo transporte cederam alguns direitos, retirando outros e protegendo o lucro dos empresários, mas acima de tudo tratando o grave problema com o “diálogo” das bombas, cacetadas, prisões e balas de borracha. Para nós do Tarifa Zero Goiânia, que lutamos pela tarifa zero para todos, estando federado nacionalmente ao Movimento Passe Livre, o aumento é inaceitável. Não só o aumento, como a existência de tarifa para um serviço que deveria ser público, gratuito e de qualidade, para proporcionar unicamente a locomoção e jamais lucros milionários a grupos capitalistas.
Percebemos que governantes e empresários estão organizados contra todos nós, mas ainda apresentam algumas divergências ao jogar um para o outro a responsabilidade do problema – agora assumido pelo poder público. Vendo que a organização destes que nos exploram depende de nossa desorganização, convidamos todas e todos usuários dos transporte coletivo da região metropolitana a se organizarem em seus bairros, locais de estudo ou trabalho a fim de discutir os problemas locais específicos e os problemas do aumento da tarifa e, assim, compor a luta contra a tirania das empresas. Em especial, convidamos para somar forças na Frente de Luta de Lutas Pelo Transporte público, articulação que reune independentes e grupos e da qual estivemos presentes desde 2013, que está convocando uma reunião de articulação para terça-feira às 14h no DCE. Somente nos organizando podemos desorganizá-los, derrubando mais um aumento (o maior até então) e caminhando para o controle do transporte pelos próprios trabalhadoras e trabalhadores.
Derrubar a tarifa de R$3,30 e lutar até zerar!
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