Solidariedade do coletivo Tarifa Zero Goiânia à luta e greve dos trabalhadores da RME


Por meio de muita luta, enfrentando as ofensivas da imprensa e da polícia, as manifestações da Frente Contra o Aumento enfim foram essenciais para a revogação da tarifa do transporte coletivo, para a conquista do “Ganha Tempo” e para aprovação do passe-livre estudantil. Mesmo que a luta ainda esteja em seu início, as empresas do transporte coletivo já reagiram: alegam prejuízo em seus exorbitantes lucros, pedindo subsídio ao poder público, retirando veículos de linha causando atrasos e superlotações, cortando e parcelando salário de trabalhadores (caso da empresa Reunidas) e realizando lockout (caso da empresa Rápido Araguaia).

No mesmo cenário, em que as empresas pressionam os gestores públicos, a prefeitura anuncia o corte de benefícios como o “difícil acesso” dos trabalhadores da educação. O que se espalhou foi a ideia de que isso é culpa das conquistas vindas das lutas contra o aumento e por um transporte coletivo digno. Cortar benefícios de mobilidade dos trabalhadores da educação municipal e culpar os levantes e movimentos de luta por uma mobilidade urbana mais digna seria realmente uma jogada suja, incluindo-se na tão conhecida tática das classes dominantes – tentar desorganizar os trabalhadores e colocá-los contra si mesmos (motoristas contra usuários; professores contra estudantes; trabalhadores da educação contra demais trabalhadores que se beneficiaram com a integração etc.).

O “difícil acesso” é um direito essencial para a mobilidade dos trabalhadores, tanto aos que se locomovem pelo transporte coletivo quanto aos que se locomovem por transporte particular. O trabalhador cortar parte do próprio salário para gastar com seu próprio deslocamento ao local de trabalho é uma prática que abominamos e é justamente um dos principais pontos que nos faz lutar contra o aumento de tarifas e, mais ainda, por uma nova lógica de transporte, que seja de fato público e com tarifa zero. Temos a consciência de que os gastos com a locomoção dos trabalhadores aos seus postos de trabalho devem ser de responsabilidade dos patrões, portanto o trabalhador não deve ser onerado em seu salário para que sustente sua própria exploração. Mesmo sabendo que ainda não é a medida ideal, o “difícil acesso” é um direito mínimo que jamais deveria ser afetado.

A questão da mobilidade, porém, não é o único ponto apesar de demonstrar que as diferentes frentes de luta unem-se nos interesses comuns da classe trabalhadora contra os interesses da classe capitalista organizada. É de conhecimento que muitas escolas não têm infraestrutura de qualidade, ou seja, em pleno 2013 ainda é comum escolas que não tenham – ou tenham de má qualidade – quadras de esportes, banheiros decentes, lousas modernas, ambiente informatizado, bibliotecas e que ainda haja escolas e CMEIs com paredes de placa. A exploração do trabalho intensifica-se nas escolas e estende-se ao tempo livre dos trabalhadores: professores são constantemente cobrados e controlados em seu tempo produtivo, tendo que conciliar o currículo que lhes é cobrado, o atendimento a estudantes com necessidades especiais sem o apoio de professores especializados, o cumprimento de projetos milionários e sem respaldo pedagógico aprovados em cúpula de gestores com autores e editoras (“Escola de Inteligência” e “Educação Financeira”) e também cumprir as obrigações burocráticas como a confecção de fichas avaliativas de alunos (notas e “sócio-afetivo”), que não passam de uma maquiagem mal feita em um sistema de ciclos que jamais deixou de funcionar como um obsoleto e opressor sistema seriado.

Os trabalhadores administrativos passam por situação grave. Além da exploração cotidiana, ainda estão desrespeitados em seus planos de carreira e na progressão horizontal. Alguns cargos como os agentes educativos e o magistério passam pela situação de ou não ter nem o plano de carreira ou não serem contemplados em benefícios como regência e “difícil acesso”. Quem trabalha nas cozinhas, além disso, enfrenta locais de trabalho insalubres, tendo que conciliar um processo pesado cotidianamente de se responsabilizar pela alimentação de estudantes na merenda e no almoço. Aliás, é também sabido que a merenda enfrenta crise em várias escolas: estudantes reclamam de estarem comendo apenas bolachas, pães com pouco recheio e de estarem recebendo as bebidas (sucos, iogurtes e leites com achocolatado) pela metade. Claramente, não está chegando merenda nessas escolas e a alimentação oferecida é de baixo valor nutricional: além de estarem reclamando de fome, os estudantes sujeitam-se a alimentos cariogênicos e de baixa qualidade. E os trabalhadores da merenda ainda precisam tentar fazer milagre com esses ingredientes, sem o auxílio de mais trabalhadores nas abafadas cozinhas.

Além de todos esses fatores, ainda há o sucateamento de um dos mais vitais direitos dos trabalhadores, que é o plano de saúde do IMAS, que só piora. O piso salarial que não é cumprido como deveria ser, os planos de carreira solapados, a precarização dos trabalhos de contratos e substitutos e a falta de autonomia das escolas – sempre sujeitas ao rígido controle das estâncias burocráticas da SME – são outros pontos emergenciais. Emergenciais porque sabemos que o horizonte dessa luta ainda é amplo, e envolve toda precarização do sistema educacional do país.

Diante dessa situação, o coletivo Tarifa Zero Goiânia não só apoia como põe-se em solidariedade na luta dos trabalhadores da Rede Municipal de Educação. Pela luta dos trabalhadores começando pela mobilização em suas comunidades escolares, ou seja, por uma luta em que se superem os velhos erros de atrelamento e subordinação a direções partidárias ou de sindicatos que são notadamente instrumentos de controle e, que na realidade do Sintego, é praticamente orgânico à Secretaria Municipal de Educação.

Pela união dos trabalhadores nas escolas, dos responsáveis pelos estudantes e os próprios estudantes, e também com outras categorias de trabalhadores conscientes de que somos uma só classe, totalmente antagônica à classe dos que nos exploram: daqueles que ocupam cargos de gestão em empresas, governos e sindicatos pelegos. Pela constante mobilização e pelas lições aprendidas com as derrotas anteriores e pelo respeito à decisão soberana da assembleia que decidiu por greve.

 

Declaramos, portanto, solidariedade à luta e à greve dos trabalhadores da RME (Rede Municipal de Educação) de Goiânia, por uma educação sem catracas!

Tarifa Zero Goiânia,

Goiânia, 25 de Setembro de 2013.

Amanhã vai ser maior!

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