PM que agrediu covardemente estudante é afastado por agressão


Repressão da PM contou com bombas de efeito moral e tiros de pistola enquanto estudantes protestavam contra aumento na tarifa de ônibus.

O comandante do Choque surgiu com a história de que os manifestantes estavam “saqueando o comércio”, da mesma forma que dizem que são os manifestantes que agrediram primeiro. Perguntamos aos participantes da manifestação e aos comerciantes e trabalhadores da região do Terminal da Praça A: alguém viu o comércio sendo saqueado? Quem estava no terminal e não participava da manifestação e os próprios comerciantes podem dizer algo a respeito de saques.

Rosana Melo, O Popular, 17 de maio de 2013.

O comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, major Wendel de Jesus Costa, foi afastado da função no final da tarde de ontem, pelo comandante geral da PM, coronel Sílvio Benedito Alves, após ter sido flagrado pela imprensa agredindo com um murro no nariz um estudante que tentava conseguir de volta sua bandeira durante um protesto na Praça A, em Goiânia, contra o aumento na tarifa de ônibus na Região Metropolitana.

Durante o protesto, cerca de 400 manifestantes, a maioria estudantes do Instituto de Educação de Goiás (IEG), Instituto Federal de Goiás (IFG), Universidade Federal de Goiás (UFG) e Colégio Lyceu de Goiânia, entraram em confronto com policiais militares. A manifestação, que começou no Centro. A passagem deve subir para R$ 3.

Segundo a nota do comando da PM, o afastamento do comandante do Pelotão de Choque, a princípio, se deu por causa de “conduta indevida” na manifestação. Foi instaurado procedimento administrativo para a apuração dos fatos.

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Para a PM, soco na cara de pessoa desarmada tem o nome de conduta indevida. Para nós se chama covardia da PM.

De acordo com o oficial de dia da Polícia Militar, tenente-coronel Francisco José Frazão Morais, a corporação estava avisada da manifestação e acompanhou a passeata do Centro até Campinas. “Era uma manifestação pacífica até que o grupo colocou fogo em pneus na entrada do Terminal da Praça A e impediu que o Corpo de Bombeiros trabalhasse. Começaram a agredir a PM com pedradas, atingindo as viaturas e três soldados. O movimento não era de protesto contra aumento de passagem de ônibus, mas pela bagunça. Tivemos de reestabelecer a ordem pública”, disse.

Segundo o oficial de dia, os militares do 1º Batalhão da PM ganharam reforço da equipe do Batalhão de Choque para conter os estudantes. Os policiais do Choque entraram no terminal e dispersou os manifestantes com o uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e quatro tiros foram disparados para o alto, segundo testemunhas.

Gabriel, de 18 anos, estudante de Controle Ambiental, disse que os estudantes não agrediram os policiais. Centenas de pessoas, entre usuários do transporte coletivo e populares assistiram ao confronto. Clientes de um banco se assustaram quando uma pedra atingiu um dos vidros da fachada.

Dois estudantes foram detidos e levados para o 5º DP, suspeitos de depredarem o patrimônio público. Os dois foram liberados horas depois.

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Cápsula de pistola .40 deflagrada pela PM.

Abaixo segue a matéria do O Hoje, escrita por Lyniker Passos, em 17 de maio de 2013.

Comandante da Tropa de Choque é afastado

No final da manhã de ontem, o terminal de ônibus da Praça A, em Campinas, foi palco de mais uma manifestação de estudantes contra a possibilidade de aumento na passagem do transporte público da capital. A movimentação se iniciou de forma pacífica, mas após a queima de pneus em uma das entradas do terminal, houve confronto com a polícia.

Segundo a Polícia Militar (PM), havia pelo menos 600 estudantes no local. Três manifestantes, menores de idade, foram detidos e encaminhados à Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai). Além disso, estudantes foram agredidos e reagiram com pedras, atingindo alguns polícias. Um estudante, ao tentar retomar a bandeira que carregava com um policial, foi agredido com um soco no rosto.

A polícia acompanhava a caminhada organizada pelos estudantes, mas segundo o aspirante da PM, Fabrício Francisco da Costa, a intervenção foi necessária depois que os manifestantes impediram a passagem de uma viatura do Corpo de Bombeiros, enviada ao local para apagar o fogo dos pneus. Viaturas da polícia também ficaram danificadas. Houve também a intervenção do Batalhão de Choque, que fez uso de bombas de efeito moral, cães e balas de borracha. O confronto causou pânico nos passageiros do terminal e em ruas em volta.

No início da noite de ontem uma nota foi encaminhada para a imprensa, pelo comando geral da Polícia Militar. O comunicado informou que o coronel Silvio Benedito Alves determinou o afastamento do Comandante do Batalhão de Choque, Major Wendel de Jesus Costa, a princípio, por conduta indevida. Um procedimento administrativo também será instaurado para a apuração dos fatos.

Essa não foi a primeira vez que estudantes e usuários do transporte coletivo foram para rua manifestar a indignação do aumento da tarifa. O primeiro protesto aconteceu no dia 8 de maio. Os usuários se concentraram desta vez na Praça do Trabalhador.

Resultado da ação dentro da lei e da ordem da PM goiana.
Resultado da ação dentro da lei e da ordem da PM goiana.
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