Nota sobre a agressão à Paula


Esta carta foi escrita pelo coletivo Tarifa Zero Goiânia devido à denúncia de agressão machista. Enviamos ao coletivo envolvido no dia 11/10. Frente a um pronunciamento que não respondeu as questões que levantamos, resolvemos divulgá-la, demonstrando assim que o Tarifa Zero Goiânia não compactua com a agressão de gênero e práticas machistas.

Devido ao fato de que já se passou uma semana e não tivemos um pronunciamento do coletivo MPL-Curitiba, em relação à denúncia de agressão por parte de um de seus militantes, publicada no dia 03/10, entendemos como necessário manifestar nosso posicionamento inicial sobre a questão aos demais MPL’s.

De antemão, gostaríamos de destacar que nosso objetivo não é interferir na autonomia local do MPL-Ctba, mas a situação demanda uma discussão mais ampla, uma vez que no caso desta denúncia feita por Paula, um dos nossos princípios foi desrespeitado: “O MPL se coloca contra todo tipo de preconceito (racial, sexual, gênero etc.)”.

Existem fortes indícios que testemunham contra Gustavo Oliveira, que incluem relatos de militantes muito próximos ao TZG e de envolvidos no caso de agressão e que caso esta situação seja confirmada, independente das relações mantida entre os envolvidos, ela é injustificável e merece todo nosso repúdio. Em qualquer circunstância esta ação deveria ser prontamente rechaçada, mas, em um ambiente libertário esse acontecimento toma proporções ainda maiores. Não só por ser a representação de algo extremamente combatido pelo próprio movimento, mas também pela possibilidade de comprometer a integridade dos coletivos dos quais indivíduos com tal comportamento participam.

Vale ainda salientar a tamanha covardia do ato por envolver grande desproporção de força entre o agressor e a agredida, ainda mais sendo ela do sexo feminino, de modo a reproduzir e fortalecer as estruturas patriarcais e machistas de nossa sociedade. Por mais exaltada que possa ter sido a discussão, pelos motivos citados acima, o ato continua inaceitável, ainda mais considerando a tentativa de intimidação, através de agressões físicas e morais à vítima.

Quando nos pronunciamos em relação aos fortes indícios, o fazemos a partir do contato com uma rede de militância em Curitiba de nossa extrema confiança, que nos informou detalhes do ocorrido. Estes contatos estão muito preocupados com a segurança não só da agredida, bem como das pessoas próximas a ela. Preferimos preservar os nomes destes companheiros, que ficam receosos frente o comportamento agressivo de Gustavo Oliveira. Por estes motivos, estas pessoas já iniciaram a construção de uma rede de solidariedade e segurança, por medo de que as coisas tomem proporções ainda maiores.

Sabemos também que antes da agressão física, na frente da Ocupa J13, Gustavo Oliveira já havia tentado agredir a moça, e sendo impedido por um amigo comum, passou a proferir ameaças que posteriormente vieram a ser denunciadas.

O exposto acima já seria suficiente para ao menos questionar a participação de Gustavo Oliveira no MPL e a ausência de um pronunciamento do MPL-Ctba sobre o caso. Por outro lado, abre uma possibilidade de desconfiança sobre a participação dos MPL?s nas diversas lutas sociais em que participa(mos), pois coloca em questão nossa capacidade de tratar este tipo de situação, de extrema gravidade, cuja denúncia teve ampla difusão entre diversos meios e coletivos militantes nacionais.

O silêncio sobre estes indícios de agressão, somado às manifestações de solidariedade de diversos movimentos e coletivos, coloca em risco a viabilidade de um dos nossos princípios de luta: “(…) deve-se participar de espaços que possibilitem a articulação com outros movimentos, sempre analisando o que é possível fazer de acordo com a conjuntura local”.

Não obstante, a agredida ainda faz afirmações de um ambiente de mentiras e autoritarismo que Gustavo Oliveira estabelece, que implica na desestruturação do espaço militante, colocando em relevo não só o machismo e sexismo do mesmo, mas também a forma com que ele estabelece as relações no interior dos coletivos em que participa, incluindo o próprio MPL.

E são estas relações estabelecidas por ele que nos faz considerar que a situação é ainda mais grave. As manifestações de apoio à Paula, publicadas em seu blog, já evidenciam isso, pois elas não se limitam à crítica da agressão machista. Os relatos de diversos militantes que já trabalharam em variados momentos com ele e até mesmo por experiência anterior de alguns de nossos militantes que participaram do MPL-Ctba, tornam ainda mais críveis os indícios das práticas realizadas por Gustavo Oliveira.

Provavelmente muitos dos que lerão esta nota compreenderão o que falamos. Sua atuação costuma estimular e incentivar um extremo sectarismo, que inviabiliza que os demais membros dos coletivos onde participa tenham possibilidade de confrontar o que Gustavo Oliveira diz com o que outros dizem. Por isso, não questionamos em momento algum os demais  companheiros que militam próximo a ele no MPL-Ctba, mas, devido às denúncias de dissimulação e intrigas, acreditamos que tais práticas impedem a
construção sólida de laços de solidariedade entre os demais membros dos coletivos.

Este tipo de situação chega ao seu limite e se evidencia quando os militantes percebem e discordam das práticas de Gustavo Oliveira, mas isolados e sem forças, um a um se afastam dos coletivos ? situação que perdura, no que temos notícias, desde pelo menos 2002, na atuação de Gustavo junto ao movimento “Casa da Ponte” em Curitiba. Se valendo dos mais variados expedientes, coação, desqualificação, até agressões morais e físicas, depois de passado certo tempo, sua prática de recuperação das situações é a de se aproximar de pessoas mais novas (tanto em idade, quanto em militância), formando novos colaboradores de luta, de modo que ele sempre mantenha o controle através de sua ancestralidade, que implica em maior conhecimento acerca do espaço militante. Nas mais variadas situações, procura usar as sérias acusações que recebe para se autopromover, sob a alegação de armação, colocando-se sempre enquanto vítima de movimentos conspiratórios e, no limite, intimidando e coagindo as pessoas que fizeram a denúncia contra ele.

É também por este motivo, por recearmos que ele utilize estes mesmos artifícios e simplesmente minimize e distorça os fortes indícios da agressão que pesa sobre si, é que entendemos necessário o  pronunciamento do coletivo de Goiânia sobre o assunto.

Por fim, a denúncia de agressão cometida por Gustavo Oliveira, somada à sua prática militante, compromete ainda a integridade dos coletivos dos quais participa. Sendo assim, a postura violenta, machista e misógina, além de autoritária, antilibertária, faz com que nós do Tarifa Zero Goiânia não nos sintamos confortáveis em estar próximos de alguém com tais práticas e entendemos que, caso a situação seja confirmada, sua permanência é prejudicial ao coletivo em âmbito Nacional, por associar o MPL a este tipo de prática.

Por este motivo, resolvemos abrir o debate sobre esta delicada situação. Sabemos que a atitude individual de um membro do coletivo não deve ser tomada como uma posição geral de todos.

Além de tudo isso, entendemos como necessário um pronunciamento do MPL-Ctba sobre esta situação, bem como sugerir que, até que se chegue a um esclarecimento pleno da questão, o envolvido seja afastado da rede nacional.

Tarifa Zero Goiânia

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