A catraca iremos pular, R$ 2,70 não vamos aceitar!


De http://passapalavra.info/?p=59015.

Se os usuários já achavam abusivo o valor de R$ 2,50, com o anúncio do reajuste o clima de contestação aumentou. Por Tarifa Zero Goiânia

Era mais um dia comum em Goiânia na quinta-feira dia 17/05, quando ao final da tarde foi divulgada a notícia: a tarifa do transporte coletivo iria sofrer um reajuste de 8% a partir do próximo domingo, passando para o valor de R$ 2,70. Como isso? Sem aviso prévio?

Mais ou menos. Na verdade, oficialmente a CMTC (Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo) não havia se pronunciado até então, mas no início de maio o Jornal do Ônibus (nº 204, 06 de maio de 2012) já havia divulgado este reajuste, contudo, afirmava que o mesmo aconteceria somente a partir de junho.

Qual então o motivo para esta antecipação? Provavelmente uma estratégia do poder público e dos operadores do sistema (HP, Rápido Araguaia, Reunidas e Cootego) em dispersar as possíveis manifestações populares contra o aumento.

noticiamos que desde o ano passado inúmeros levantes espontâneos dos usuários estavam acontecendo frente a péssima qualidade do sistema de transporte em Goiânia e na região metropolitana, e a construção de Terminais novos ou troca da frota não significou em melhorias consistentes. A indignação continuava em todos, e se já achavam abusivo o valor de R$2,50, com o anúncio do reajuste o clima de contestação aumentou. Bastava escutar conversas nos pontos de ônibus, terminais e observar as redes sociais para perceber isto.

“O menor reajuste da história de Goiás”, este é um dos argumentos utilizados, já que em 2009 foi de 12,5% (de R$ 2,00 para R$ 2,25) e em 2011 de 11,11% (de R$ 2,25 para R$ 2,50). Somado a isso, inúmeros outros como “A tarifa atualizada é a única garantia da qualidade do serviço”, reajuste salarial dos motoristas, aumento do preço do combustível, aumento no preço de peças e da manutenção do veículo, variação no número de passageiros… Ora, na verdade esta infinidade de argumentos são só acessórios já que o reajuste anual está garantido no contrato de concessão firmado em 2008.

Ora, isso significa que eles têm respaldo suficiente para aumentar a tarifa do transporte coletivo sem ter justificativas técnicas e econômicas para tal fim. Mas a pressão popular se faz presente, desde trabalhadores do sistema (como motoristas e fiscais da CMTC) até os usuários, sendo que até mesmo o ministério público já encaminhou um ofício requisitando as planilhas de custo que justificassem o reajuste.

Um dia após o anúncio do aumento (dia 18/05), já registramos o primeiro ato organizado. O Fórum Goiano de Saúde Mental, aliado a vários parceiros promoveu, ao som de muita música e descontração, a “Passeata Maluco Beleza” para marcar o dia nacional da luta antimanicomial e lutar pelo direito ao passe livre por usuários do sistema de saúde que estejam em tratamento, principalmente os que são tratados nos Capes (Centro de Assistência Psicossocial).

Mesmo que este evento já estivesse programado anteriormente, com o anúncio do aumento da tarifa usuários e grupos que lutam pelo transporte aderiram à manifestação, e foi neste contexto que se formou durante a passeata uma comissão para ser recebida em uma loja do Setransp (sindicato das empresas concessionárias do transporte público, operador e gestor do sistema de transporte). O objetivo era apresentar duas exigências: uma resposta sobre o fim do direito ao passe livre pelos usuários que estivessem em tratamento e sua consequente restauração; e a publicação das planilhas de custos e de lucros das empresas para que a população tivesse conhecimento dos dados utilizados como base do aumento da tarifa.

Ninguém ali tinha dúvida da resposta que receberiam, mas não esperavam tamanho despreparo político. Após a espera de cerca de uma hora, ficava claro que esta empresa concessionária de um serviço público não queria abrir qualquer espaço para o diálogo, o que se confirmou quando a funcionária do Setransp alegou que não descumpriam nenhuma legislação ao cortar o benefício do passe livre, já que eram obrigados concede-lo somente aos deficientes mentais.

Um dos manifestantes do movimento antimanicomial em resposta deixa nítido a lógica deste tipo de empresa que em sua gestão prima somente pelo aumento da lucratividade: “Vocês querem dizer que eu preciso deixar de ser doente e me tornar deficiente para ter acesso ao Capes em que sou tratado?”.

A forma totalitária como agem novamente ficou clara quando foi apresentada a segunda exigência, o que tornou a situação ainda mais tensa dos que ali buscavam um diálogo. A funcionária e os diretores do Setransp se negaram a continuar a reunião se uma das pessoas que estavam ali e o repórter não se retirassem do local. A funcionária, ao afirmar que não aceitaria a presença do rapaz na reunião pois ele queria falar de “Tarifa Zero”, sem qualquer referência prévia, demonstra que eles monitoram os coletivos de luta e as manifestações, com a suspeita de tentar implantar infiltrados junto aos mesmos.

Neste momento de ânimos exaltados e muita confusão, a solidariedade daqueles que lutam do mesmo lado falou mais alto, e frente à intransigência dos representantes do Setransp em continuar a reunião com a presença de todos, o grupo se retirou.

Mas a luta ainda continuaria no dia seguinte. No sábado, dia 19/05 estava marcada mais uma manifestação do movimento conhecido como “Fora Marconi”.

Embora o primeiro ato (14/04) tenha tido como mote uma resposta aos esquemas de corrupção evidenciados operação Monte Carlo da Polícia Federal, as manifestações seguintes acabaram por incorporar outras demandas sociais, como os outros crimes cometidos pelo governador Marconi Perillo, exemplo, a desocupação do Sonho Real.

O aumento da tarifa não podia ficar de fora, e diversos cartazes foram erguidos para manifestar contra o aumento, contra a exploração dos trabalhadores, exigindo a liberação das planilhas de custo e o fim da tarifa e das catracas, que nada mais são do que uma forma de controle social.

Como era de se esperar, a polícia estava preparada para defender a integridade do governo do estado, e, em uma atitude covarde, como lhe é típica, ao final da manifestação, quando os grupos já estavam indo embora e dispersos, os policiais cercaram um deles sob a alegação de que haviam depredado um carro.

Outros que já estavam indo embora correram ao local, em solidariedade, e a reação da polícia foi aquela que conhecemos muito bem: spray de pimenta, agressão com cassetetes de madeira, tentativa de prisão. No fim, como não foi possível comprovar as denúncias, os acusados não tiveram que ir até a delegacia, mas seus dados pessoais registrados.

Mas que todos saibam, as manifestações continuarão, pois R$ 2,70 não iremos aceitar! A catraca iremos pular! Tarifa Zero já!

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