Fiscais protestam contra falta de punição às empresas


Malu Longo, O Popular, 02 de abril de 2012 (segunda-feira)

Eles são poucos, mas conseguiram fazer um grande barulho na manhã desta segunda-feira. Fiscais e agentes de transporte e de pesquisa da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivo (CMTC) foram para as ruas denunciar os baixos salários e a ausência de julgamentos das multas aplicadas às empresas de transporte coletivo. Segundo eles, relatórios de irregularidades e autos de infrações encaminhados à CMTC, a gestora do sistema que atinge 18 municípios da região metropolitana da capital, entre eles Goiânia, têm sido sistematicamente ignorados, resultando em problemas recorrentes nas 273 linhas de transporte coletivo desde a renovação do contrato de concessão, em 2008.

Presidente da CMTC, José Carlos Xavier, o Grafite, confirmou ontem que a Comissão Julgadora de Infrações(Conji) ainda não foi instalada, uma atribuição da Câmara Deliberativa de Transportes Coletivos da Região Metropolitana de Goiânia (CDTC). Entretanto, segundo ele, as multas vêm sendo processadas e futuramente serão encaminhadas à Conji. “Elas não prescrevem, continuam em pleno vigor e estão sendo organizados administrativamente para futuro julgamento”, explicou. A CDTC é o órgão colegiado responsável pelas políticas públicas referentes ao setor e reúne representantes do Estado, da Prefeitura de Goiânia, de municípios que integram a rede metropolitana e da Assembleia Legislativa. A CDTC é presidida pela Secretaria Metropolitana, que hoje tem como titular Silvio Silva Souza.

Presidente da Associação de Fiscais e Agentes da CMTC, João Victor Nunes Leite explicou ontem que a manifestação foi organizada não só para reivindicar melhores salários, mas também para denunciar as condições de trabalho dos 35 fiscais e agentes de transporte e 20 agentes de pesquisa vinculados ao órgão. “Quem dita as regras são as empresas. Estamos sendo vítimas de uma situação que só está se agravando”, afirmou.

O usuário Aleone Pereira, que aguardava ônibus na manhã de ontem na Praça da Bíblia, comentou resumidamente a manifestação dos fiscais: “É uma vergonha para a CMTC”. A dona de casa Maria das Graças Lima também gostou: “Ainda bem que alguém está fazendo alguma coisa porque o sistema está péssimo”. Em setembro do ano passado, o POPULAR mostrou que uma vítima de acidente de ônibus é atendida a cada três dias no Hospital de Urgências de GoIânia (Hugo). Somente em 2011 e até aquele mês foram sete mortes.

De acordo com os fiscais, são comuns os autos de infração sobre as condições dos veículos – vidros quebrados, elevadores sem funcionar, pneus carecas – e mesmo assim eles voltam a rodar sem que os problemas sejam solucionados. A conduta dos motoristas e o atraso também são verificados pelos fiscais que atuam nos terminais e estimam fazer uma média de 20 autuações por dia. “Em caso de atraso de ônibus somos orientados por nosso chefe a tirar o colete e sair correndo do terminal”, denunciou um deles.

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