Reunião para aumento da tarifa do ônibus é adiada


Manhã foi de protesto e dura repressão da PM. Atraso na apresentação de estudo para reajuste, pela CMTC, levou reunião para a próxima semana. Sim, nós acreditamos…

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PM que agrediu covardemente estudante é afastado por agressão


Repressão da PM contou com bombas de efeito moral e tiros de pistola enquanto estudantes protestavam contra aumento na tarifa de ônibus.

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He’s got no Sitpass to ride, but he don’t care


Depois de mais de uma semana aguardando autorização, tornamos públicos alguns detalhes de nossa exclusiva conversa com Sir Paul McCartney após sua apresentação. O tão esperado show do beatle, histórico para a cidade de Goiânia, foi envolto desde o seu anúncio pela polêmica de gastos de verbas públicas milionárias pelo governo estadual – um “pão e circo” para a classe média que se diz “esclarecida” que tanto criticava o “pão e circo” dos shows sertanejos para a classe média que dizem ser “menos esclarecida”.

Mas outra conjuntura política e social polêmica fazia sua vez quando da vinda de Paul McCartney à capital goiana: a situação do transporte coletivo. Quatro dias antes do tão esperado show, motoristas do transporte público cruzaram os braços à espera de uma negociação justa com o patronato para que suas reivindicações fossem atendidas e a região metropolitana foi tomada pelo alvoroço de milhares de passageiros que ficaram sem ônibus, tendo que optar por alternativas de transporte – mais caros – ou tendo que optar pela falta aos postos de trabalho ou às salas de aula. (notícia aqui)

A greve dos motoristas foi breve, mas um espectro ainda rondava a região metropolitana de Goiânia: o espectro do aumento da tarifa. A atual tarifa é de R$2,70 e o aumento já é uma certeza, não se sabia direito se para R$3 ou R$3,20. Se todos esperavam já um aumento de tarifa, o que ninguém de fato esperava era um posicionamento de Paul McCartney sobre essa situação, e em uma curta conversa exclusiva logo após o show entendemos que nosso transporte coletivo, do jeito que está, atrapalhou alguns planos e surpresas do eterno beatle.

De início, Sir Paul McCartney já não teve tão boa impressão da cidade em relação aos transportes ao descer do jatinho: “Disseram-me que o [aeroporto] Santa Genoveva era internacional, mas de fato não o é, e eu percebi isso pela falta de estrutura e pelas obras inacabadas”, disse o beatle ainda carregando sobre o ombro seu novo amigo goiano, Harold.

Pior ainda seria a inviabilização de uma intervenção inclusa na turnê “Out There!” tanto em Belo Horizonte quanto em Goiânia, por motivos de problemas estruturais no transporte coletivo. Para demonstrar o carinho aos fãs e sua humildade, mesmo sendo um Sir agraciado com um MBE direto das mãos da rainha, um dos planos de Paul McCartney com sua produção seria a de pegar um transporte coletivo para ir do aeroporto ao hotel, e de lá para o local do show. Explica o beatle: “Em uma de nossas apresentações ao vivo pela BBC de Londres nos anos 1960 fomos perguntados se é cansativo ser um beatle e o que mudou com nossa fama. Eu mesmo respondi que muitas coisas mudam e algo simples, como pegar um ônibus, já não é mais a mesma coisa” (esse trecho encontra-se aqui). E continua: “Por muitos anos pensei nisso e, mesmo sendo um dos homens mais ricos do Reino Unido, decidi desafiar a fama e poder pegar um ônibus um dia. Decidimos [ele e a produção] por utilizar nessa turnê o transporte coletivo das cidades, com a necessária escolta, que seja. É um fator de proximidade do artista com o público e um sinal de respeito aos serviços públicos de onde vamos nos apresentar”.

Em BH, uma grande metrópole brasileira, o plano foi logo desencorajado. Em Goiânia, ninguém havia preparado Sir Paul – ninguém sequer o alertou que dias antes ocorrera uma greve de motoristas – e algumas situações o deixaram furioso. Depois de uma pesquisa rápida, a produção havia chegado a um plano: o grande astro, sua banda e sua equipe iriam ao lado de fora do aeroporto para esperar os ônibus da linha 258 ou 913, que os levariam ao centro da cidade e de lá tomariam outro coletivo ao hotel.

“Não deu! Perdemos um 258 e nos informaram ainda que o próximo viria 40 minutos depois. Quando fomos informados do preço da tarifa, porém, até resolvi esperar. Ora, uma tarifa de R$2,70 só poderia dizer respeito a um ônibus climatizado, com proteção contra raios solares, leitos e serviço de bordo com belas aeromoças goianas servindo iguarias locais. Não foi bem assim. Um cidadão já nos desestimulou ao dizer que os ônibus são lotados, quentes, fedidos, sujos, sem proteção contra raios solares, barulhentos e que ainda são montados sobre chassi de caminhão. Bloody hell! Com esse preço eu não esperava uma coisa assim!”, contou indignado.

E antes que falássemos da linha 913, Sir Paul já adiantou: “E a outra linha [913] é um tal serviço CityBus, com proteção contra raios solares, assentos fofinhos, ar-condicionado, wi-fi, tomada para recarregar celular… Mas é muito elitizado, é mais caro e não condiz com o perfil de nossa atitude de pegar um coletivo popular. Por que inventam um serviço assim, segregado, se todos os ônibus deveriam ter conforto? Além do mais, a frequência desse aí também é de 40 minutos”.

Paul McCartney, porém, não quis ficar ali esperando. Estava atrasado, precisava ajeitar os equipamentos, tomar um belo banho, arrumar-se e reconhecer o palco no Estádio Serra Dourada. Com as coisas do jeito que estavam, estava correndo o risco de ter de perder seu chá das 17 horas, pois estava já há muito ali naquele ponto de ônibus. A impaciência de Sir Paul foi se esgotando, depois de muito tentar segurar sua elegância britânica. Esperar por quase uma hora pelo próximo ônibus não é algo animador, seja para um gentleman seja para todos, ainda mais que esse tempo é suficiente para lotar o ponto e indicar que o próximo veículo estará cheio. O que fez o artista desistir de vez da espera foi uma informação dada por um passageiro que também esperava: “O cidadão então veio e me disse que eu deveria ainda comprar uma espécie de ticket, cuja tarifa é aquela de R$2,70, mas que a população já aguardava um novo aumento, que poderia ir de R$3 a R$3,20. Com tarifa de R$2,70 subindo para mais de R$3, prefiro um carro: é menos luxo e é mais confortável”.

Dito e feito, o beatle perdeu a paciência e ordenou sua produção que providenciasse logo um carro, que com um pouco de demora chegou e embarcou Sir Paul. O músico foi então ao hotel, mas antes não pôde deixar sua elegância e gentileza de lado, despedindo-se das pessoas que ficaram no ponto ainda sem sinal do próximo ônibus.

Sir Paul McCartney despedindo-se das pessoas que conheceu no ponto à espera de um ônibus: "Foi muito bom conhecê-los, mas essa tarifa eu não vou pagar!"

Sir Paul McCartney despedindo-se das pessoas que conheceu no ponto à espera de um ônibus: “Foi realmente um prazer conhecê-los, mas essa tarifa eu não vou pagar!”

Essa situação acarretou em um atraso que seria sentido inclusive na hora do show, que começou 33 minutos depois do previsto. Pior ainda, já pronto no hotel, Sir Paul foi informado de que alguns integrantes da banda e da produção que decidiram por tomar o coletivo chegaram atrasados, sujos e cansados, e que portanto iriam tomar um banho. “Se isso é embaraçoso para nós, imagine só como é para os trabalhadores dessa cidade que dependem desse tipo de serviço todos os dias. É caro, é cansativo e acaba com a paciência e com o dia de qualquer um! Como podem ainda aumentar o preço desse serviço tão ruim?”, lamentou Sir Paul.

Esquentados os ânimos com todo esse atraso, enfim saem todos ao Estádio Serra Dourada para passarem o som antes da apresentação tão esperada que aconteceria às 21 horas. De carro, enfrentando mais um atraso pelo péssimo tráfego da cidade, Sir Paul McCartney entra no estacionamento do estádio e vê uma longa fila de pessoas: “Aquilo realmente me deixou muito feliz. ‘Quanta gente já está aqui para me esperar! Isso é muito bonito!’, disse eu ao motorista. Mas ele me disse que na verdade essa fila era a do embarque solidário do Terminal Isidória e logo me entristeci novamente por conta desse transporte desumano de Goiânia”.

A fila do embarque solidário do Terminal Isidória estava tão longa ao fim da tarde de segunda-feira que chegou ao Serra Dourada e passageiros foram confundidos com fãs à espera do show. Esse terminal, ainda assim, não chega a ser um dos mais cheios e congestionados da metrópole.

A fila do embarque solidário do Terminal Isidória estava tão longa ao fim da tarde de segunda-feira que chegou ao Serra Dourada e passageiros foram confundidos com fãs à espera do show. Esse terminal, ainda assim, não chega a ser um dos mais cheios e congestionados da metrópole.

Cansado do show e já apressando o fim de nossa conversa, pedimos para que Sir Paul McCartney fizesse algumas considerações sobre a cidade e sobre essa questão do transporte que tanto o incomodou: “Certamente a minha recepção foi bem calorosa, pois ao pisar em solo goianiense já senti minhas axilas transpirarem. O fato de não podermos usar o transporte coletivo, como era o plano da turnê, realmente me entristeceu. Não é justo que pessoas paguem tão caro por um serviço tão ruim, aliás, não é justo que paguem alguma tarifa por um serviço que deveria ser público. Como sabem, vivi meus melhores tempos em Liverpool, mas é de Bristol o exemplo que mais me orgulha quanto a um transporte público mais justo [ele se refere a isto]. Deveria se pensar em uma mudança mais profunda em que o transporte público fosse financiado por um fundo de impostos destinados ao transporte”.

Como resposta, dissemos a Sir Paul que em Goiânia já estão a providenciar o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) para o eixo Anhanguera. Com um sorriso descrente, cansado do show e da frustração ao conhecer o transporte da cidade, ele retrucou: “Não adianta, pois com certeza há nisso aí interesses dessas grandes empresas do transporte coletivo. Se esteticamente melhoram o serviço, ou se aumentam um pouco a velocidade média, podem ter certeza que por detrás disso haverá a justificativa para especulação imobiliária, o aumento da tarifa, o aumento da carga de trabalho sobre os motoristas e com certeza o aumento dos lucros das empresas. São medidas pra inglês ver e, sinceramente, como inglês, eu vejo e já sei que não haverá avanço algum. Enquanto o transporte for uma mercadoria, movida pela ganância de lucros, não haverá melhorias. Goiânia pode ter VLT, metrô, ônibus de dois andares ou submarino amarelo, mas se houver ainda a cobrança de tarifa e se o controle sobre o transporte não for popular, passageiros e trabalhadores ainda vão sofrer bastante!”.

Perguntamos então, dessas suas impressões, qual a mensagem final que ele deixa aos que dependem do transporte público da região metropolitana: “Se me perguntarem o que acho de Goiânia, prefiro me referir apenas ao público do show e dizer que a cidade é muito bela, porque se eu me referir à mobilidade urbana e ao transporte coletivo, a imagem da cidade estará queimada. Um transporte público para ser público deve ser financiado com um fundo destinado ao transporte, sem necessidade de se pagar uma tarifa toda vez em que se entra em um ônibus. Aqui, pelo que vi e me disseram, o que reina é uma máfia de empresas, que cobram uma tarifa muito cara e que vai aumentar, e o povo não pode deixar isso acontecer. Se levarem tudo pelo let it be, let it be, essas empresas e o poder público envolvido vão abusar mais e mais. É preciso que esse povo bonito se revolte! O amanhã nunca se sabe, e se deixar a situação como está, vocês vão carregar esse peso por muito tempo…”.

E, muito simpático, finalizando nossa conversa, Sir Paul pede desculpas mas confessa: “Eu e minha equipe estamos felizes pelo show, mas quanto ao transporte dessa cidade e pelo que passamos, não posso esconder que estamos todos grilados, muito grilados!”.

Sir Paul McCartney grilado.

Sir Paul McCartney grilado.

E quanto ao que vai acontecer ainda em Goiânia, com ou sem espetáculo de Paul McCartney, é bom lembrarmos que O aumento vem aí! É hora de sairmos às ruas para barrá-lo!


O aumento vem aí! É hora de sairmos às ruas para barrá-lo!


Segundo reportagem publicada pelo jornal O Popular, de 15 de maio de 2013, assinada por Vandré Abreu, no dia 16 de maio haverá uma reunião da CDTC sobre o aumento da tarifa na Região Metropolitana de Goiânia. A reportagem pode ser conferida abaixo.

Mas o que nos salta aos olhos nesta reportagem é a função de fachada que cumpre a Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC) em relação às empresas da Rede Metropolitana do Transporte Coletivo (RMTC). Enquanto já havia uma reunião marcada, com envio de ofícios, e um novo preço pré-estipulado, a CMTC informou à reportagem que não fora realizado o cálculo a ser apresentado na reunião de amanhã na CTDC. O argumento de “erro de comunicação” demonstra, na verdade, que não há comunicação alguma sobre os dados financeiros e operacionais do sistema coletivo de transporte da Região Metropolitana de Goiânia. A não ser a comunicação anual de que a tarifa irá aumentar, apesar da péssima qualidade dos serviço, dos ônibus superlotados, atrasados…

As empresas – HP, Reunidas, Rápido Araguaia e Cootego – que exploram este serviço essencial à população e a CMTC agem em conjunto para a obtenção de lucros, que só não se sabe o montante exato pela falta de comunicação à população. O direito de acesso à cidade e seus serviços ficam desta forma submetidos aos interesses empresariais dos capitalistas de Goiânia e região. E o órgão público responsável pela fiscalização destas empresas age em conjunto com elas. Será que é a CMTC que realmente está gerindo o sistema de transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia? Ou será que as empresas têm a CMTC como uma fachada “pública” para dar legalidade a seus interesses privados?

No dia 08 de maio a manifestação da Frente Contra o Aumento (da qual o Tarifa Zero também faz parte) parou o centro da capital contra o aumento (como pode ser lido aqui). Amanhã, dia 16, está marcada uma nova manifestação à frente do colégio Lyceu, no centro da capital, às 07h00, para barrarmos mais um aumento abusivo.

Todos à rua contra o aumento!

Fogo na catraca e Tarifa Zero já!

Crônica de um aumento anunciado

Reunião define aumento na tarifa.

vendedor sitpass

Vendedor de Sitpass mostra bilhete: reajuste da tarifa do transporte coletivo deve valer a partir de segunda-feira

Duas semanas depois da greve dos motoristas de ônibus, os nove componentes da Câmara Deliberativa de Transporte Coletivo (CDTC) devem definir no fim da tarde de amanhã, na sede da Secretaria de Estado de Desenvolvimento da Região Metropolitana (SEDRM), o reajuste na tarifa do transporte coletivo. A passagem deve ser aprovada no valor de 3 reais nos ônibus convencionais e 1,50 real no Eixo Anhanguera, válidos a partir de segunda-feira. O reajuste chega a cerca de 11% e teria sido motivado, principalmente, pela variação no preço do óleo diesel, de 16% no último ano. Os números ainda não foram confirmados oficialmente.

A reunião para a recomposição da tarifa, que é prevista no contrato de concessão com as empresas do transporte coletivo, ocorrerá exatamente 14 dias após a greve dos motoristas de ônibus. Os funcionários paralisaram suas atividades e prejudicaram a locomoção de milhares de pessoas na Grande Goiânia nos dias 2 e 3 de maio. Ao final do movimento, conseguiram aumento de 9% no salário e 25% no tíquete alimentação. A possibilidade de reajuste da tarifa foi antecipada pelo POPULAR, na edição do dia 4, mostrando que o aumento concedido aos motoristas poderia servir de pretexto para alteração no preço da passagem. Na semana passada, estudantes e usuários do transporte coletivo realizaram manifestação no Centro da capital questionando o aumento. O último reajuste ocorreu há um ano. Em 20 de maio do ano passado começou a vigorar o preço atual, de 2,70 reais.

A reunião de amanhã tem apenas dois pontos como pauta: a recomposição tarifária e “outros assuntos de interesse da CDTC”. A Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC) afirma que a recomposição tarifária é prevista na cláusula 24 do contrato com as empresas. Para o reajuste, a própria CMTC deve realizar um estudo que verifica diversos itens, como a recomposição salarial dos funcionários, os gastos com a frota de ônibus e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O órgão municipal informa que um estudo já foi realizado e entregue para a Agência Goiana de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos (AGR), que aprecia se o relatório está em conformidade com as regras.

A AGR analisa o estudo e o leva para a reunião na CDTC, da qual também é membro. Os nove componentes têm poder de voto igualmente e definem se o reajuste será ou não aprovado. No entanto, extraoficialmente, as empresas do transporte coletivo de Goiânia confirmam que já existe um acordo para o reajuste. Além da CMTC, AGR e SEDRM, participam da CDTC as prefeituras de Goiânia, Aparecida de Goiânia e Senador Canedo – que representa as demais 16 prefeituras da região metropolitana -, a Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (SMT), Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano Sustentável (Semdus) e um representante da Assembleia Legislativa, o deputado Talles Barreto (PTB).

Confusão

Todos os representantes foram convocados para a reunião pela Secretaria da Região Metropolitana na segunda-feira e confirmaram a presença. No início da tarde de ontem, a CMTC era o único órgão que negava a existência da reunião e dizia que o estudo do reajuste tarifário não havia nem mesmo começado. Informada pelo POPULAR da existência dos ofícios confirmado a reunião, houve uma mudança de versão e a justificativa do órgão é que teria ocorrido um erro de comunicação. A CMTC diz que o estudo do reajuste é enviado a todos os componentes da CDTC para que possam avaliar o seu teor.

A mudança do valor da passagem para 3 reais já era temida pelos usuários do transporte coletivo da região metropolitana de Goiânia, já que a fixação de reajustes tornou-se usual depois de movimentos salariais dos motoristas do sistema.

Nos últimos dois anos não houve greve oficial dos funcionários, principalmente por causa da disputa entre o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado de Goiás (Sindittransporte), que representa a categoria oficialmente, e o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo de Goiânia e Região Metropolitana (Sindicoletivo). Neste ano, o Sindicoletivo criticou o acordo trabalhista feito pelo Sindittransporte com o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Goiânia (Setransp).

Setransp avisa Procon sobre possível falta de Sitpass

O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Goiânia (Setransp) se reuniu na manhã de segunda-feira com o Procon Goiânia para informar sobre uma possível falta de passagens de transporte coletivo, o Sitpass, na capital. Segundo o diretor-geral do Procon Goiânia, Miguel Tiago, o sindicato pediu orientação ao órgão e se eximiu da responsabilidade caso os usuários não encontrem a passagem. O fato se repete todos os anos, sempre que há o reajuste, pois os vendedores guardam as passagens no preço antigo para vender no preço maior.

De acordo com Miguel Tiago, o Setransp não poderia emitir mais passagens no caso de falta no mercado porque entraria no jogo dos revendedores, deixando com que eles estoquem os bilhetes. O Procon Goiânia avisou ao Setransp para aumentar o rigor na fiscalização dos revendedores cadastrados, que podem até mesmo perder o direito deste serviço caso descumpram as regras. Além disso, o sindicato deve orientar estes revendedores a não repassar uma grande quantidade de passagens para uma mesma pessoa, evitando que esta se torne um vendedor clandestino.

Em relação ao aumento da tarifa no transporte coletivo para R$ 3,00, Miguel Tiago afirmou que o Procon Goiânia está atento a tudo o que possa prejudicar o consumidor. No entanto, o diretor-geral diz que não tem clareza se o órgão vai ter “espaço para debater o assunto” ou mesmo acesso às planilhas que confirmam o reajuste. No ano passado, quando a tarifa passou de R$ 2,50 para R$ 2,70, o Ministério Público de Goiás pediu à Companhia Metropolitana do Transporte Coletivo (CMTC) a planilha do estudo sobre o reajuste para que fosse analisado. Na ocasião, o reajuste foi mantido.

Dificuldade

A reportagem do POPULAR saiu às ruas e entrevistou os usuários do transporte coletivo. A maioria dos abordados já utiliza o Cartão Fácil – cartão de crédito que pode ser recarregado em posto de autoatendimento, terminais e site. Dos oito usuários que utilizam Sitpass, apenas um relatou dificuldade para comprar as passagens.

“Estou comprando na entrada do terminal, na guarita. O vendedor de quem eu costumava comprar falou que não tinha mais bilhetes”, informou a vendedora Larene Caldeira.


Goiânia: Protesto contra aumento da passagem fecha a rua e abre caminhos


Original disponível em: http://passapalavra.info/2013/05/77238

 

Ao invés de irmos ao espaço da Companhia para discutir com eles, forçávamos os gestores públicos do transporte a vir discutir conosco no nosso terreno, na ruaPor Tarifa Zero Goiânia

 

“Hoje a cidade acordou toda em contramão, homens, buzinas, sirenes, estardalhaços…”

Desde a greve dos motoristas de ônibus na semana passada, em Goiânia, vivemos um momento atípico. Uma manobra mal sucedida das empresas na última quinta feira,  2 de maio, de impedir a greve e fazer os usuários do transporte pagarem a passagem mesmo com o indicativo de paralisação, criou uma situação de caos no sistema de transporte da cidade. Milhares de usuários ficaram presos em terminais de ônibus, sem poderem voltar para casa nem sair ao trabalho, sujeitos às arbitrariedades da segurança armada contratada pelas empresas.

Nesse contexto, aconteceram vários protestos “espontâneos” contra a situação do transporte. No Terminal da Bíblia, passageiros invadiram a pista da principal linha da cidade, o Eixo Anhanguera, e vários ônibus foram depredados. Em pelo menos um terminal uma manifestação quebrou as máquinas de sitpass [*] e uma catraca. Com um fim de greve insatisfatório para os motoristas e que atiçou os usuários do transporte coletivo contra as empresas, até os principais meios de comunicação da cidade já estão praticamente fazendo campanha contra o provável aumento da passagem.

É muito comum ocorrer uma oposição entre motoristas e usuários — “Se eles ganharem mais, nossa passagem aumenta”; “se a passagem deles não aumentar, meu salário não aumenta.”. Nesta oposição reducionista pouco se sabe e pouco se discute sobre as relações do transporte público, que no final giram em torno de um objetivo: gerar lucros para as empresas que monopolizam este “comércio”. Diante da falta de transparência do transporte público em Goiânia, se justificam ambas as arbitrariedades: a com o usuário e com o trabalhador do transporte.

Foi nesse contexto que no dia 8 de maio a Frente Contra o Aumento, um movimento composto por estudantes independentes, grêmios, DCE-UFG, Centros Acadêmicos, pelo MEPR, pelo TZ Goiânia e também outros grupos, convocou uma manifestação na região central da cidade contra o aumento da passagem. A manifestação, marcada para 07h30min da manhã, surpreendeu de várias formas. A primeira surpresa foi o número dos manifestantes, cerca de 600 estudantes, muitos matando prova para comparecer à manifestação.

A segunda surpresa foi ver um ato simbólico se transformando em combustível nos ânimos dos manifestantes. Logo no início da manifestação, quando paramos no cruzamento da Avenida Goiás com a Avenida Anhanguera, os manifestantes queimaram pneus no meio do cruzamento e anunciaram que iam bloquear a via até que a nossa reivindicação imediata fosse concedida: a presença de um representante da Companhia Metropolitana do Transporte Coletivo (CMTC) para receber as nossas reivindicações. Com esse pontapé inicial, as pessoas se encarregaram de bloquear a rua, conversar com os transeuntes, manter a fogueira acesa no meio da avenida e organizar uns rudimentos de autodefesa e solidariedade. O microfone aberto, apesar de algumas confusões, também permitiu uma maior discussão dos temas, a manifestação de pessoas na rua apoiando o nosso movimento, e permitiu também que a fala não ficasse totalmente focada na “organização”, fazendo com que de fato a manifestação tivesse uma voz própria.

A chama acendeu os ânimos das pessoas que ali passavam junto com os que protestavam e de modo distinto da polícia que vigiava o protesto. Depois de uma prisão por conta de uma confusão causada pelos bombeiros, a polícia comum foi escorraçada para longe da manifestação. Tropas de choque e a cavalaria foram mandadas para as proximidades. Não nos intimidamos. Nem a polícia nem os gestores do transporte sabiam o que fazer, porque foram surpreendidos pela nossa demanda. Ao invés de irmos ao espaço da Companhia para discutir com eles, forçávamos os gestores públicos do transporte a vir discutir conosco no nosso terreno, na rua. Eles não queriam aceitar, mas também não podiam recusar, com o risco de parecerem pouco razoáveis, indispostos a um diálogo que nós, manifestantes, estávamos iniciando.

A quarta surpresa foi mostrar a que viemos durante esta manifestação. Gritaríamos palavras de ordem, queimaríamos pneus, fecharíamos o trânsito. Mas, além da expressar revolta e indignação, não sairíamos do local até que a nossa demanda da presença de um representante do sistema de gestão do transporte coletivo fosse atendida. A demanda clara e cristalina unificou os manifestantes em torno de um objetivo, facilitou a compreensão do público de porque estávamos ali e até permitiu que a Polícia Militar (PM) viesse a se dobrar diante das nossas reinvindicações. Exigimos que a PM intermediasse o contato com a CMTC e fizesse com que o representante aparecesse para que a situação fosse resolvida. Inicialmente, diante da queima de pneus, a primeira resposta dos policiais foi a de que a repressão era inevitável e que a gente ia apanhar. Ao verem que a gente não ia sair de lá e que tínhamos uma demanda bastante clara, resolveram dialogar. Quem conhece a tradição da PM goiana de bater antes e perguntar depois vai perceber o ineditismo da situação.

A demora de chegar algum representante da Companhia, sendo estratégia ou não para dispersar o movimento, não surtiu efeito. A demora do tal representante que viria receber o documento não desanimou os manifestantes, pelo contrário, o tempo que ficamos ali serviu de muita conversa entre os manifestantes e com quem passava e queria saber “o que estava acontecendo”. Ao saber, apoiavam. Um grupo de pessoas paradas na calçada e moradores da região inclusive iniciou um abaixo-assinado na hora para demonstrar apoio à nossa reivindicação. A imprensa, toda no local, também procurava saber. Ao verem o apoio da população, a imprensa e a nossa disposição para resistir, a própria polícia resolveu jogar a responsabilidade de qualquer repressão em cima da Companhia: só haveria repressão se o órgão gestor do transporte se recusasse a dialogar com os manifestantes. Em determinado momento, enviaram alguém da CMTC que disseram que não veio por ter ficado com medo da manifestação; alguns diziam ser uma estagiária que a própria polícia dispensou, mas o que importa é que nenhum representante da CMTC estava lá para pegar o documento. Novamente, mostramos que de lá não sairíamos.

Por volta de meio-dia, depois de 3 horas fechando a rua, de inúmeros rumores de que o choque e a cavalaria estavam descendo, finalmente entenderam que a gente não ia sair. A diretora técnica da CMTC chegou ao local para receber o documento. A fala da diretora, recebida com vaias, foi finalizada dizendo que ela ia encaminhar a carta aos espaços competentes solicitando os manifestantes a “voltarem para as aulas e pararem de atrapalhar o trânsito”.

O ato, com a sensação de um primeiro passo dado e uma pequena vitória conquistada, acabou ali, naquela fala em que alguém de um órgão do transporte pedia para que usuários voltassem às aulas e não atrapalhassem o trânsito. O que é um absurdo vindo de um gestor do transporte público, que deveria saber quem realmente impede milhares de usuários de irem para a aula, de irem para o trabalho, de irem tomar a cerveja naquele bar longe de casa, de irem ao cinema ou ao posto de saúde levar o filho. Com um pouco de honestidade, se não pudéssemos responder estas questões, ao menos entenderíamos que não eram os manifestantes os que deveriam voltar para suas aulas ou para o trabalho. E ainda mais, entenderíamos que, antes de repudiarem o fato de que, sim, atrapalhamos o trânsito por uma manhã no centro, é preciso refletir sobre quem de fato tem suas vidas cotidianas atrapalhadas pelo modo como o transporte coletivo se estrutura na cidade. Depois, nos jornais, as empresas do transporte responderam à nossa manifestação falando que “nem sequer se discutiu aumento”, o que, além de ser uma declaração mentirosa, demonstra que eles foram pegos despreparados pela nossa inciativa. Também não entenderam.

Os usuários e trabalhadores do transporte, em sua maioria, no entanto, entenderam muito bem o recado e os manifestantes saíram do ato com o sentimento de que logo mais os empresários e gestores públicos do transporte coletivo iam entender que nós não vamos aceitar mais. Que a cidade é de quem vive nela, de quem anda nela, não de quem lucra com ela. E que para mostrar isso nós tínhamos a capacidade de dobrar polícia, órgão público e a empresa que fosse. Mostramos. Agora que a coisa saiu do roteiro para todo mundo, usuários e empresas, o caminho está aberto. Depende de mantermos a iniciativa e a criatividade do movimento e continuar surpreendendo e criando alternativas de luta e organização. Convocamos outra manifestação para o dia 16, às 7:30 da manhã na frente do Colégio Lyceu, no centro. Veremos como vai se desenrolar.

Nota

[*] O sitpass é um bilhete eletrônico utilizado pela Rede Metropolitana de Transporte Coletivo em Goiânia para coletar a tarifa. Insere-se o bilhete ou passa-se o cartão na máquina e libera-se a catraca. Foi o artifício utilizado aqui para unificar a gestão do transporte e demitir os cobradores de ônibus.

Os leitores encontrarão aqui um glossário de gíria e de expressões idiomáticas, tanto do Brasil como de Portugal.

Fotografias de Luiz da Luz e Yolanda Margarida.


O exemplo de Porto Alegre


A capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, esteve bem evidente nos últimos dias devido às manifestações nas ruas contra o aumento da tarifa de ônibus de R$2,85 para R$3,05. A decisão de aumento pelas empresas e prefeitura, mesmo com a recomendação do TCE (Tribunal de Contas do Estado) para se abaixar a tarifa a R$2,60, gerou revolta e protestos organizados compostos por usuários do transporte coletivo, estudantes em sua maioria. Uma grande manifestação no dia 27 de março em frente a prefeitura chamou a atenção da mídia nacional (ver notícia aqui) e foi marcada pela truculência da tropa de choque da Brigada Militar (Polícia Militar), que, segundo informações oficiais, reagiram assim (ver vídeo aqui e aqui) somente por conta do vandalismo por parte de alguns manifestantes.

No dia 1º de abril, uma nova manifestação ocorreu como já estava combinado, e em resposta à ação violenta da polícia na anterior (ver notícia aqui) e em resposta também à reação de órgãos de imprensa, que não se bastaram a emitir opiniões atacando a luta dos manifestantes, mas também defenderam a posição dos responsáveis pelo aumento arbitrário da tarifa – especialmente o grupo RBS, filiado da Rede Globo (aqui). Ontem, dia 4 de abril, a surpresa: uma liminar foi emitida suspendendo o aumento e voltando a tarifa a R$2,85 (aqui e aqui).

E o que esse exemplo de Porto Alegre tem a nos ensinar?

É bem comum o desânimo e o pessimismo em relação a manifestações populares nas ruas. Mesmo aquela militância de Facebook andou tendo seus abalos. Quando o problema é o transporte coletivo, com suas precariedades e preços altos, a indignação é inevitável e o desejo de revolta é imenso. Porto Alegre com tantos manifestantes nas ruas surpreendeu até mesmo militantes de movimentos sociais, surpreendendo mais ainda pelo resultado obtido de revogação do aumento. Muitas pessoas que se desanimam com protestos costumam afirmar que o povo não tem poder nenhum e que quem exige mesmo são partidos e quem manda mesmo são os engravatados, mas imaginem o que seria dessa tarifa em Porto Alegre se a agitação popular – de maioria autônoma, não representando ou sendo representada por algum partido – não encurralasse os gestores para tomar uma atitude. Se ainda há o tradicionalismo das vias legais e institucionais como nos mostram os artigos sobre a notícia da liminar, podemos ter certeza de que o recuo por parte das empresas não foi por vontade própria, mas pelo medo, pela pressão que os protestos organizados exerceram, tendo grande alcance e não gerando a antipatia que a mídia queria jogar aos manifestantes. Quem anda de ônibus sabe como é a situação, então atitudes do tipo parecem estar cada vez mais bem-vindas.

Charge de Carlos Latuff para Sul Vinte Um - "Vitória nas ruas de Porto Alegre: aumento dos ônibus é cancelado!"

Charge de Carlos Latuff para Sul Vinte Um – “Vitória nas ruas de Porto Alegre: aumento dos ônibus é cancelado!”

No Brasil inteiro costumam aparecer em início de ano notícias de aumentos de passagens e mobilizações populares, que geralmente contam com a repressão policial. Na região metropolitana de Goiânia ainda não houve anúncio oficial neste ano de 2013, mas mal o mês de março se encerrou e já há receios de muitos usuários, que temem um novo aumento. Vamos lembrar que há um ano a tarifa aumentou de R$2,50 para R$2,70. O impacto no bolso ainda dói, pior ainda é saber que nada melhorou em relação às superlotações, ao tempo de espera dos ônibus, às condições dos terminais e à situação trabalhista dos trabalhadores do transporte. O que mudou em termos de mobilidade em Goiânia foram alguns pontos novos e corredores exclusivos em avenidas famosas e uma ciclovia que não exige nenhum conhecimento de urbanista para perceber que é mal projetada; enfim, são mudanças mais estéticas que funcionais, pois o caos na metrópole continua o mesmo de sempre.

Esse aumento do ano passado estimulou a formação de uma frente de luta contra o aumento, cujo primeiro ato começaria na Praça Universitária. Antes mesmo do início, quando ainda estavam chegando manifestantes, uma viatura da PM se aproxima e os dois militares que estavam nela começam um procedimento bastante suspeito, deixando a impressão de que tudo era um teatro armado. A consequência foi uma demonstração de autoritarismo, agravada pela chegada de reforço policial, que rendeu a prisão de três estudantes. Essa notícia estranha da repressão policial está aqui. Isso gerou uma grande desconfiança em relação aos serviços de inteligência e repressão de órgãos que comandam o transporte coletivo em Goiânia, mas não intimidou manifestantes que se organizaram novamente para um protesto uma semana depois no centro da cidade (aqui) e outro posterior (aqui), com abertura das portas traseiras aos gritos de “Hoje é de graça!” que deu a muitos de nós utentes o gostinho de tarifa zero.

O que isso e as últimas de Porto Alegre nos tem a ensinar é sobre a força que tem a união de trabalhadores contra a exploração das empresas de transporte coletivo, com o aval do poder público. Ensinou-nos sobretudo que com empenho e muita gente nas ruas unida por uma causa, pressões podem dar resultados esperados. De um aumento revogado, uma luta dessas também pode reduzir o preço de uma tarifa, mas também podemos ir além, repensando as formas de controle e subsídio do transporte coletivo, imaginando uma organização dessas revoltas nacionais para que o autoritarismo desses patrões seja derrotado em todas as instâncias. Nossa posição é a de não nos limitar com ganhos pontuais, mas seguir com a luta pela tarifa zero.

Aquela sensação de que quanto mais os patrões se organizam, mais desorganizam os trabalhadores, em uma situação assim mostra a sensação de que quanto mais os trabalhadores se unem, mais os patrões se desesperam. E que amanhã seja maior!


09/11/2012 – Protesto contra o transporte publico no 263 PC CAMPUS


O vídeo abaixo mostra um protesto de um usuário do transporte coletivo em Goiânia. Ele foi gentilmente enviado ao Tarifa Zero Goiânia por Fernando Henrique, que disse o seguinte:

“Esse é o vídeo que eu gravei na linha 263, provavelmente um protesto contra o valor da tarifa e uma critica ao transporte publico municipal em forma de uma performance chocante para o publico de massa presente no ônibus em horário de pico.”

Homem não identificado faz protesto em forma de performance em umas das linhas mais precárias de Goiânia, a linha 263 que sai do Terminal da Bíblia até o Campus 2 da UFG. Estava amarrado e com suas pernas e braços presos por uma especie de cassetete, assim como os presos da ditadura.